Transporte e Logística são excelentes opções de investimento no Brasil

A greve dos caminhoneiros no país mostrou uma grande fragilidade no setor de transportes e logísticas e a forte necessidade de investimentos neste setor para que o país volte, de fato, a crescer. Esse setor demasiadamente afetado pela crise e a priorização dos projetos essenciais será primordial para superar o atraso e avançar, abrindo novos caminhos para o desenvolvimento sustentável, com geração de emprego e renda para a população e permitindo também a redução de custos nos deslocamentos de pessoas e mercadorias e elevando a competitividade do país. O grande desafio será resolver os gargalos e criar condições para uma investimentos em infraestrutura ainda mais integrada e com mais tecnologia.

Superar o atraso e avançar em infraestrutura é caminho que o Brasil precisa seguir. O país necessita voltar a crescer de forma vigorosa. Registramos uma defasagem de 40 anos em infraestrutura de transporte e logística, condição que restringe a produção de riquezas, tira a competitividade das empresas, dificulta a distribuição de renda e atrasa o combate às desigualdades sociais, impedindo o pleno desenvolvimento das empresas e do país.

Para crescer, o Brasil precisa estimular os investimentos estrangeiros no país e, para isso, é necessário oferecer segurança jurídica e condições atraentes de negócios aos investidores. Por isso, a continuidade das reformas do Estado é tão importante. Essas são as condições mínimas para que o tímido crescimento econômico alcançado em 2017 se converta em um novo e duradouro ciclo de desenvolvimento sustentável e atraia cada vez mais investimentos nacionais e estrangeiros.

Esse tema foi abordado por Amaury Fonseca Junior, sócio-fundador da Vision Brazil Investments, durante o evento “Invest in Brazil Conference”, que ocorreu em Nova York, em maio deste ano. Os principais temas abordados na conferência, que também teve a presença do ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Quintela, foram as possibilidades de investimentos no Brasil nas áreas de infraestrutura, transporte e logística, energia e finanças.

Amaury Fonseca Junior falou sobre como a recessão econômica no país nos últimos anos abriu as portas para investimentos estrangeiros em todos os setores, especialmente nos de infraestrutura e de transporte e logística. Ele acrescentou ainda que o capital do Estado não será suficientemente capaz de atender às demandas do país e que o investimento estrangeiro vai tornar o Brasil ainda mais competitivo.



Concessões à iniciativa privada

Nos aeroportos, apesar das polêmicas e dificuldades iniciadas em 2014, cujo impacto afetaram a rentabilidade dos administradores, os investimentos em tecnologia e sistemas, assim como a ampliação e modernização, foram efetuados conforme os cronogramas nos seis aeroportos concedidos à iniciativa privada em 2011 pelo governo federal: Natal (Rio Grande do Norte), Guarulhos (São Paulo), Galeão (Rio de Janeiro), Brasília (Distrito Federal), Viracopos (São Paulo) e Confins (Minas Gerais).

Os seis aeroportos ainda vão investir durante os 30 anos de concessão privada cerca de 28,5 bilhões de reais em modernização e novas obras, e trazer ao governo federal aproximadamente 43,5 A 5 bilhões de reais em investimentos. Isso vai afetar diretamente a qualidade das rodovias e, consequentemente, os efeitos se darão no desempenho das empresas de transporte. A má qualidade da rodovia aumenta em 27% o custo operacional do transporte, pois eleva o consumo do óleo diesel, gerando um gasto de 2,54 bilhões de reais por ano. Com a variação do custo do combustível a cada dois dias, fica cada vez mais complicado as transportadoras planejarem seus custos.

Na contramão disso tudo, a União vem trabalhando para lançar novos lotes rodoviários ao mercado. Os dois mais adiantados são a Rodovia Integração Sul (BR 101/290/386/448) no Rio Grande do Sul, com 473 quilômetros e investimentos de 8,5 bilhões de reais, e a Rodovia BR-364/365, de Uberlândia (Minas Gerais) e Jataí (Goiás), com 437 quilômetros e 2 bilhões de reais em investimentos. Há ainda, para serem liberados neste ano, os leilões da BR-101, no trecho de Santa Catarina, e da BR 153. O governo pretende reduzir, durante sete anos, 14 mil quilômetros o gargalo logístico identificado hoje em 26 mil quilômetros de estradas, abrindo a concessão de 3,9 mil quilômetros de rodovias não licitadas.

O Plano Nacional de Logística (PNL) tem o objetivo de ser o balizador de políticas e decisões da área de infraestrutura, com metas para até 2025, 2035 e 2050, do qual o governo pretende ter regras amarradas para iniciar licitações ainda este ano. Para o curtíssimo prazo, o PNL tem uma carteira de 77 estudos e projetos, sendo 10 de concessões rodoviárias, cinco de ferrovias, 23 de portos, sete estruturantes, entre outros.

O importante nisso tudo não é só o que o Brasil vai ganhar, mas quanto o país pode perder se o que está projetado não avançar no setor logístico até 2025. Essa perda pode ficar em torno de 33 bilhões de reais por ano.

E as ferrovias, como vão? É sabido que, se tirarmos o minério transportado pelas ferrovias, 80% das cargas no Brasil são transportadas pelo modal rodoviário. Mas essa realidade poderá mudar. Após a paralisação dos caminhoneiros e o caos estabelecido no país, o governo está correndo para lançar até o início do segundo semestre o edital da ferrovia Norte-Sul. Os editais da Ferrogão e da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) também podem ser lançados ainda este ano. Deverá haver disputa com empresas russas e chinesas. Se esses trechos forem arrematados pela iniciativa privada, a matriz de transportes poderá se modificar: as ferrovias poderão responder por 32% do escoamento das cargas, que hoje está em 25%. Isso vai aliviar a carga rodoviária.

Mas quando o assunto é tecnologia nos trens e metrôs, o cenário caótico muda de cor. Trens de carga e de passageiros correm lado a lado quando se trata de utilização de novas tecnologias. Já pode-se ver locomotivas com pilotos automáticos que puxam dezenas de vagões com minério de ferro ou soja. As novas locomotivas dos trens cargueiros são capazes de economizar combustível, variar a velocidade de acordo com as características geográficas do trajeto e conduzir automaticamente a composição de maneira mais eficiente e com maior produtividade. A redução de energia pode passar dos 10% e os custos de manutenção podem cair até 20%.

Enquanto isso nas grandes cidades, o cidadão viaja de trem ou de metrô, onde consegue visualizar a posição das composições, o tempo de viagem e possíveis interrupções, assim como poderá escolher o vagão mais vazio para entrar. Tudo informado em painéis de LED (Light Emitting Diode) em tempo real. O piloto, claro, é automático. Além de informações dinâmicas em tempo real aos passageiros em estações de metrô, os sistemas garantem um fluxo mais ordenado de usuários nas plataformas.

As inovações na indústria ferroviária são muitas, mas na portuária e na hidroviária os novos parâmetros de produtividade e eficiência já começaram a ser sentidos com os investimentos nas mudanças tecnológicas. Na logística marítima, o lançamento de uma rede global baseada na tecnologia “blockchain” promete reduzir os custos da indústria global de transporte marítimo em contêineres, que movimenta 12 trilhões de dólares anuais. A rede oferece 34 tipos de serviços diferentes, sendo o principal um rastreamento global dos contêineres na cadeia. A expectativa é a instalação de chip de rastreamento em todos os contêineres para monitorar a carga desde a liberação até a entrega no destino.

Nos portos brasileiros, um dos avanços é o sistema de controle de tráfego marítimo por meio de radares e câmeras. O sistema já evitou acidentes e apoia na manobra das embarcações.

Qual é a saída?

O aumento dos investimentos da iniciativa privada nacional e estrangeira em projetos de infraestrutura é um passo para ajudar o setor de transportes e logística a crescer. Os recursos públicos nunca serão suficientes, uma vez que precisam disputar com outros setores como educação, saúde, infraestrutura e desenvolvimento social, cujas demandas crescem exponencialmente. Os investimentos estrangeiro e nacional, assim como as reformas da Previdência e Tributária são uma saída para o avanço do setor e ajudarão a torná-lo mais competitivo. A sociedade está consciente da importância das reformas de modernização do Estado. A Reforma da Previdência já é compreendida como fundamental para garantir o equilíbrio das contas públicas, corrigir distorções e combater injustiças. Também já está consolidada a ideia de que é preciso reformular o sistema tributário e simplificar o relacionamento do Estado com o setor produtivo. São esses processos de modernização na “máquina” do país que vão contribuir para um ciclo de modernização do Estado e colocar o Brasil num patamar economicamente sustentável. Ganha o país. Ganha a população.

O crescimento do Brasil depende de infraestrutura de transporte e logística para garantir a criação de polos regionais de desenvolvimento, estimular a produtividade das empresas, gerar crescimento econômico, produzir riquezas e ampliar as oportunidades de emprego e renda para a população. Não há outro caminho. Os sacrifícios impostos pela longa recessão serviram de alerta para que erros históricos, como a falta de planejamento e de investimentos em infraestrutura não se repitam. Aos poucos, a economia brasileira está voltando para os eixos e o setor de transporte começa a dar sinais de recuperação.

O Brasil precisa investir 350 bilhões de reais por ano para expandir sua infraestrutura, dos quais R$ 210 bilhões são apenas para dar conta da depreciação dos ativos. Só teremos isso com investimentos público e privado, nacional e estrangeiro, e planejamento da economia. A Parceria Público-Privada (PPP) é uma das alternativas para alavancar os programas de infraestrutura. O desenho do setor de infraestrutura necessita passar por mudanças. Operadoras internacionais, novas construtoras nacionais e internacionais, fundos de investimentos, fundos de private equity e fundos soberanos precisam ingressar no segmento imediatamente.

A recente paralisação dos caminhoneiros, em maio, expôs mais uma fragilidade do país e reacendeu um debate que ganhará espaço na corrida presidencial. Se, por um lado, o ano eleitoral dificultará os investimentos públicos, por outro, o debate entre os candidatos à Presidência da República será útil para definir o modelo de desenvolvimento que o Brasil adotará para os próximos anos, especialmente no setor de transportes e logísticas.

Desafios da logística do futuro

Entre os desafios da chamada “Logística 4.0”, algumas tendências tecnológicas estruturais envolvem empresas e pessoas. Há uma certa corrida do setor produtivo frente à manufatura avançada, uma intensa automação e robótica, inteligência artificial, internet das coisas e impressão 3D. Uma tendência crescente de não comprar coisas, mas imprimi-las em um birô da esquina. As cartas estão com os dias contados e os Correios de todo o mundo estão se reinventando tecnologicamente, com formas modernas de distribuição de mercadorias, para que chegue em qualquer lugar de maneira mais rápida e por diversos meios. Pode soar como um futuro longínquo, mas já está acontecendo em grande escala um único mercado digital, de forma global.

Enquanto no passado o foco em eficiência era distribuir grandes quantidades, hoje é a rapidez com que se entrega de zero a 35 quilos a grande mudança de paradigmas. Já é possível o alcance postal dinâmico, sem endereçamento tradicional, onde a encomenda segue o cliente online. Com a exigência de dados do cliente antes do serviço, existem organizações trabalhando para garantir a segurança na troca eletrônica e transporte de dados. Além disso, faz-se necessária a padronização de dados postais para facilitar a ultrapassagem de fronteiras. Qualquer entidade comercial que não esteja engajada no ambiente virtual tende a desaparecer.

Comércio eletrônico e Smartlockers

No Brasil há um comércio eletrônico estimado em 150 milhões de itens anuais. Em Hong Kong, por exemplo, essa marca é alcançada em um único dia. É um “tsunami de pacotes” e com ele surgem os armários inteligentes, conhecidos como smartlockers. Na corrida para satisfazer o cliente com rapidez “na primeira milha”, um novo nicho de demanda aparece. No ano passado foi a roupa lavada. O cliente deixa sua roupa suja no armário e recebe a roupa limpa, junto com outros pacotes, se quiser. Na China, já existem mais de 150 mil armários interativos, para entrega diária de mais de 9 milhões de encomendas.

O e-commerce é inevitável, mas ele paralisa a logística, se for por transporte terrestre ou aquático. Os smarthlockers estarão em todos os sistemas de distribuição do mundo em pouco mais de três anos.

O Brasil está em franco descompasso com o progresso mundial. Muitos armazéns não estão preparados para suportar as novas tecnologias. Além de fazer a mudança na cabeça dos gestores, na frota, também é preciso uma modificação física. O Brasil é um dos países que menos gasta com administração de logística. Em no máximo 10 anos, será possível ver circulação de caminhões de carga sem motoristas. Grandes transportadores europeias estão adquirindo tecnologia para isso. As impressoras 3D vão mudar tudo o que se entende por entrega, pois será possível a impressão de coisas grandes ou de metal, por exemplo.

Passando pela Internet das coisas (IOT), o armário interativo será a solução mais interessante, servindo perfeitamente para entregas nesse Brasil territorial e diversificado, chegando a lugares onde não há CEP.

No passado, o fornecedor, o comprador e o operador logístico eram, normalmente, terceirizados. Hoje, a indústria média vende diretamente ao consumidor final. Mas nada entende de logística para fazer chegar ao consumidor. Entram em cena, então, os gestores da cadeia de suprimento (ou operadores 4PL), que começam a tomar conta de toda a cadeia de transportes das empresas. A ideia é fazer com que o usuário não consiga mais distinguir o que é logística e o que é tecnologia porque ele só conseguirá enxergar a tecnologia.

Conclusão

O Brasil precisa, portanto, evoluir no setor de transporte e logística para se adequar ao que o futuro reserva às economias mais avançadas. Estimulando investimentos estrangeiros no país, diminuindo as barreiras burocráticas, oferecendo segurança jurídica e condições atraentes de negócios aos investidores nacionais e internacionais para conseguir superar suas dificuldades nessas duas áreas essenciais. Só assim conseguiremos crescer como economia e como Nação.

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